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Jornada Espiritual

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Todos nós, quando decidimos seguir a Jesus, nos dispomos a entrar numa jornada espiritual. Como ponto de partida dessa jornada estabelecemos algumas bases, ou princípios. Por exemplo, a própria fé em Jesus. Essa é a base fundamental da jornada espiritual que estamos envolvidos. Em outras palavras, nossa jornada espiritual existe porque cremos que Jesus é o filho de Deus, o próprio Deus encarnado.

Toda jornada é dinâmica. Não estamos parados, mas em movimento, em percurso. No caso da espiritualidade, o movimento se chama expansão da consciência, ou expansão do horizonte de compreensão. A Bíblia usa a expressão metanóia para explicar esse movimento.

Acredito que a metanóia seja um encontro, uma parceria, entre a disposição humana e a ação do Espírito Santo.

Por exemplo, num primeiro momento da nossa espiritualidade cremos que Jesus é o próprio Deus encarnado. Como estamos em jornada, essa compreensão certamente terá desdobramentos, se expandirá: por crer no Verbo Encarnado, nossa fé deixa de ser teocêntrica e passa a ser cristocêntrica. Em outras palavras, toda compreensão que temos de Deus deve passar primeiro por Jesus, pois cremos que ele é o próprio Deus. Ou seja, tudo que se pensa sobre Deus deve se parecer com Jesus de Nazaré, ou então não é o nosso Deus.

Esse movimento é a metanóia. A expansão da consciência. Expansão do nível de compreensão.

Essa jornada faz parte da tradição cristã, testemunhada primeiramente pelos próprios discípulos de Jesus. Paulo, por exemplo. Um fariseu assassino de seguidores de Jesus. Em certo ponto de sua jornada, ele sofre uma metanóia e deixa de persegui-los. Não só isso, passa a liderá-los. Como judeu fariseu, guardador da Lei de Moisés, era de se esperar que ele comungasse da opinião de Tiago e Pedro: a mensagem de Jesus é só para os Judeus, nação eleita de Jeová. Contudo, Paulo tem uma nova metanóia em sua jornada: a pregação do Evangelho para todos. É por causa desse novo horizonte de compreensão que se abriu para Paulo que temos a oportunidade de seguir Jesus, pois ele foi o evangelizador dos gentios (não judeus).

Uma outra metanóia ocorrida na jornada de Paulo foi o rompimento com a tradição judaica, como guardar o sábado e a circuncisão. Para ele, ser seguidor de Jesus não era ser judeu, era fazer parte de um novo tipo de humanidade. Essa nova compreensão gerou uma briga entre ele e os apóstolos da igreja de Jerusalém, entre eles Tiago e Pedro. Era inadmissível para Pedro e Tiago o rompimento com o judaísmo. Mas Paulo tinha ampliado seu horizonte de compreensão sobre a mensagem de Jesus: Israel, nas palavras de Jesus, não era uma nação literalmente, mas sim uma metáfora sobre o novo tipo de humanidade a partir de sua ressurreição.

Essa nova compreensão também acontece, um pouco mais adiante, na vida de Pedro. Pedro seguia rigidamente a tradição judaica, e era contra a pregação do Evangelho aos gentios. Contudo, ele tem uma experiência que expande sua compreensão, uma metanóia, relatada em Atos 10:9-48: têm uma visão de animais quadrúpedes, répteis e aves consideradas impuras na tradição judaica, e ouve uma voz mandando-o matá-las e comê-las. Ele se nega, alegando que nunca havia comido algo impuro ou imundo. Então a voz lhe responde dizendo que ele não deve considerar impuro o que Deus purificou. Essa visão é uma metáfora, evidentemente. Ela significava que Pedro não deveria considerar os gentios impuros, pois Deus os havia purificado.

Ele sofre uma metanóia, uma expansão do seu horizonte de reflexão.

Poderiam ser relatadas muitas outras experiências de pessoas da tradição cristã, mas não são necessárias. Os exemplos descritos bastam para nos mostrar como a fé e a espiritualidade cristã são dinâmicas. Reconhecer que estamos sempre caminhando em direção a metanóia, ou seja, a uma expansão da nossa compreensão, não é sinal de soberba, e sim de humildade, pois existe muito mais para se aprender e compreender sobre Jesus e seu Reino. Uma espiritualidade que não caminha em direção a expansão da consciência, em direção à ampliação do horizonte de reflexão, está estagnada, doente.

Todo princípio que sustenta a nossa fé e espiritualidade tem como desdobramento o alargamento da compreensão desse princípio, a partir do advento de uma nova compreensão acerca das muitas realidades que se apresentam para nós. Por exemplo, cremos que Jesus é o nosso salvador. Mas a partir do advento de uma nova compreensão sobre a realidade, que se desvela para nós quando fazemos nossas leituras da vida, enxergamos que a salvação que Jesus nos trouxe tem conseqüências para toda a vida humana e não humana. Como podemos pensar em salvação da humanidade se não pensamos em salvação do meio ambiente? Não podemos, precisamos inserir o meio ambiente em nossa teologia da salvação. Ou seja, nosso horizonte de compreensão sobre salvação foi expandido, ampliado, sofreu metanóia. Ainda bem, pois assim sabemos que estamos caminhando, não estagnados. Essa compreensão nada tem a ver com soberba, mas sim com o reconhecimento de que há mais sobre a idéia de salvação que Jesus propôs, que ela mesma é dinâmica e viva, e cabe a nós compreendê-la e traduzi-la com relevância para nós e para as pessoas do nosso tempo.

Ampliar o horizonte de reflexão não significa que agora somos melhores do que os outros. Vejam o que Paulo escreveu aos Romanos, capítulo 14:

Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. Há quem considere um dia mais sagrado que outro, há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos...

Versículo 14 - Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro.

Paulo tinha como princípio de fé que nenhum alimento é impuro, mas sabia que existiam pessoas que consideravam alguns alimentos impuros. Ele se achava melhor, ou “na frente” desses? Não. Apenas sabia que seu horizonte de compreensão era outro. E devia respeitar os que pensavam o contrário dele. O respeito e a tolerância são princípios de humildade, pois reconhecem que outros podem pensar de outra forma, sem necessidade de nenhum juízo de valor.

É lindo o artigo primeiro da Declaração de Princípios sobre a Tolerância, da ONU:

Artigo 1º - Significado da tolerância

1.4 Em consonância ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem a livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de ser tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem.

Paulo não se achava melhor porque a jornada espiritual não é uma disputa, é uma caminhada ao lado de Jesus. Uns compreendem que o Evangelho é para todo o ser humano, outros que o Evangelho é apenas para os judeus. Quem é melhor? Ninguém. Apenas devemos saber que, como estamos em jornada, sofreremos metanóias o tempo inteiro, se nossa espiritualidade estiver viva e sadia. Esse é o convite de Jesus: ouviste o que foi falado aos antigos, eu porém vos digo... Metanóia.

Alguns princípios que tínhamos como base mudarão, justamente como fruto da dinâmica da jornada espiritual. Eles se desdobram, entram em nossa compreensão, e se tornam novos princípios. Uma fé viva é uma fé dialética.

Estamos em jornada em todas as esferas da vida, não apenas na esfera espiritual. Nossa compreensão sobre a própria vida muda, dinamicamente, conforme amadurecemos. Quando somos crianças, pensamos como crianças. Mas nossa compreensão sofre muitas expansões até nos tornamos adultos. Decidir namorar é um tipo de expansão da compreensão. Decidir casar é outro. É o amadurecimento de um princípio, a expansão de um princípio. Metanóia.

Quando alguém começa a estudar Economia, tem um tipo de compreensão sobre o assunto. Conforme vai estudando, sua compreensão vai expandindo, seu horizonte de reflexão muda, também se expande. Da mesma forma, quando alguém começa a estudar a Bíblia. O movimento de expansão do horizonte de compreensão é o mesmo do estudante de Economia. É assim porque somos assim, dinâmicos. É assim porque amadurecemos.

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino – 1 Co. 13:11.

Paulo está sendo soberbo em sua declaração? Não. Sua declaração marca uma profunda consciência de si e do outro: a responsabilidade de sua compreensão, e o respeito por quem está começando sua jornada; a relevância que as coisas de menino tiveram para sua jornada, e a importância que terão para os que ainda são meninos.

Os reformadores tinham plena consciência da dinâmica da jornada. Eles sabiam que não era preciso uma única reforma, mas que a igreja de Jesus deveria sempre estar se reformando. Por isso o lema da Reforma era ecclesia reformata ac propter semper reformanda, isto é, “igreja reformada e por isso mesmo sempre se reformando”.

Por que sempre se reformando? Porque os tempos mudam, e junto com o tempo, as pessoas e suas compreensões. E sabemos que a mensagem de Jesus tem relevância para todas as pessoas, em todos os tempos. Por isso precisamos sempre pensar em como torná-la relevante para o nosso tempo, para as pessoas do nosso tempo.

Por exemplo, com a Revolução Industrial, o meio ambiente vem sofrendo seria degradação. Sabemos que a Revolução Industrial tinha como paradigma a compreensão de que os recursos naturais nunca findariam, por isso não importava o quanto eles eram explorados. Contudo, depois de alguns séculos de exploração, sabemos que esse paradigma estava errado. Pode ser que a Terra volte a ser como era antes da Revolução Industrial, se revitalize, mas para isso, alguns séculos serão necessários, e se não mudarmos nosso padrão de exploração e consumo, poderemos ser extintos. Corremos esse sério risco. Para se ter noção do quanto exploramos a Terra, e de como a cultura de consumo se tornou absurda, muito maior do que a Terra é capaz de suportar, segue uma estatística: se todas as pessoas do planeta consumissem no mesmo padrão dos norte-americanos, seriam necessários oito planetas Terra para suprir a demanda.

Mais uma: hoje, 1 bi de pessoas não tem acesso á água potável. Em 25 anos é previsto que 2,7 bi não tenham. Os maiores consumidores são os norte-americanos.

Esse é um problema do nosso tempo. Um problema essencialmente nosso. E a mensagem de Jesus precisa ser relevante para essa realidade, apesar de ter sido pregada há dois mil anos, quando ninguém imaginava uma Revolução Industrial e a escassez de água doce. Por isso precisamos reformar nossa compreensão da mensagem de Jesus. Já foi citado nesse artigo que não podemos pensar em salvar a humanidade sem pensar em salvar o meio ambiente. Está justificada a razão para essa compreensão.

Então o conceito de salvação para nós precisa ser expandido: precisa levar em conta nossos problemas históricos. Em outras palavras, precisamos ser salvos do padrão de consumo imprimido pelos norte-americanos, senão seremos extintos.

Estou citando esse exemplo para mostrar a dinâmica da espiritualidade cristã. A preocupação com o meio ambiente não fazia parte do horizonte de reflexão cristã pré-Revolução Industrial. Mas hoje precisa fazer. Metanóia.

Crescemos. Nossa compreensão de salvação se expandiu, se desdobrou, e agora está em pleno diálogo com o nosso tempo, com as pessoas do nosso tempo, com a história, com a economia, com a política – a cultura humana em geral.

Mas essa é uma compreensão que nem todos têm. Cabe aos que tem ajudar os que não tem a ampliar seu horizonte de reflexão sobre salvação. Esse não é um movimento de soberba, e sim um movimento de profundo respeito pela humanidade. Como ouvi no filme “A última hora”: dado o nível de consciência das pessoas, elas estão se esforçando para poupar o meio ambiente. Contudo, cabe aos que tem consciência profunda do problema imprimir uma mudança cultural de consumo para a humanidade.

O movimento de expansão da compreensão é maravilhoso. Durante muito tempo na história da humanidade se creu que a Terra era plana como uma tábua, sustentada por duas divindades sob um abismo: sheol, geena, ou hades . Durante muito tempo na história da humanidade se creu que a Terra era o centro do universo. Durante muito tempo na história da humanidade se creu que os negros eram inferiores aos brancos, pois não tinham alma. Já cremos que os arianos eram a raça superior. Já cremos que pessoas com defeitos genéticos deveriam ser mortas, pois atrapalhavam o processo de evolução humana. Já acreditamos que as nuvens do céu eram de algodão doce. Mas crescemos. Sofremos expansão da consciência. Nosso horizonte de compreensão se alargou.

Enfim, estamos em jornada. Algumas questões que já foram para nós princípios se desdobraram em novos princípios. Se reformaram. Sofreram metanóia. E por isso algumas discussões naturalmente devem passar, não por serem bobas, mas por já terem sido assimiladas e reformadas, gerando outras novas discussões, outros novos princípios, que por sua vez serão assimilados e reformados, gerando outros novos princípios e discussões. Isso nunca terminará, a não ser que alguém esgote tudo o que existe para se compreender sobre Deus-Jesus e seu Reino.

Isso não torna irrelevante e dispensável os princípios que tínhamos no começo de nossa jornada, pelo contrário, confere a eles valor justamente por fazerem parte da história da nossa jornada, da nossa construção como sujeitos. Por isso devemos caminhar com todos, princípio por princípio, e cuidar para não pular etapas - como uma adolescente de dez anos grávida, conscientes da nossa responsabilidade de tornar a jornada com Jesus apaixonante para todos.

Pode ser, e é até provável, que no decorrer da jornada compreensões diferentes sobre o mesmo tema sejam construídas. Ótimo. Isso marca a pluralidade do pensamento humano, a riqueza e a singularidade de cada pessoa. Compreensões diferentes se somam, não se subtraem, porque ninguém é dono da verdade. Intérprete só.

Lucas Lujan
13/03/2009

 

 

 

Coleta Seletiva

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Coleta Seletiva de Lixo e de Óleo de cozinha na Igreja Betesda de São Paulo

Da parceria entre o Centro Social Betesda e Ministério de Jovens Betesda, nasceu o programa de Coleta Seletiva de Lixo e Óleo de cozinha na Igreja Betesda. A partir de Março, você pode trazer o seu lixo e o seu óleo usado para a Betesda, para serem reciclados, diminuindo assim o impacto contra o meio ambiente.

Por lixo entende-se:

Papel

Plástico

Jornais

Garrafas de refrigerante e água

Revistas

Baldes e bacias plásticas

Caixas de papel

Copos descartáveis

Papelão

Embalagens de plástico em geral

Papéis de embrulho

Brinquedos

Embalagem de ovo

Sacos plásticos

Cadernos

Canos e tubos pvc

Folhas de rascunho


Listas telefônicas


Papel sulfite em geral


Embalagens da Tetra Pak



Metal

Vidro

Latas de aço e de alumínio

Garrafas de vidro

Pregos

Cacos de vidro

Parafusos

Frascos de produtos alimentícios, higiene e limpeza

Objetos de ferro, cobre e zinco

Frascos de remédios

Tampinhas de garrafa


Panelas


 

COLETA SELETIVA – É PRECISO ENTENDER

Apesar de todos os apelos e de toda a vontade manifestada pelos diversos segmentos da sociedade em defesa do meio ambiente, as ações com esse objetivo ainda pecam pelo próprio desconhecimento do tema. Um programa de coleta seletiva é um exemplo comum. Trata-se de uma atividade profissional que requer tempo e habilidade, como qualquer outra. Caso contrário, poderá ter vida curta.

Alguns lugares como condomínios residenciais e comerciais ainda pensam que implantar um programa de coleta seletiva é fácil e sem custo financeiro. Isso é lusório. Além de mobilizar funcionários e condôminos, existem outras áreas que devem ser acionadas e detalhes que devem ser verificados.
Sabemos que cada cidadão gera por dia uma quantia grande de materiais que podem ser reciclados ou reaproveitados e que o consumidor pode ajudar com pequenos atos, como recusar sacolas plásticas na hora da compra.

Diante disso, surge a idéia de fazer coleta seletiva e as perguntas pertinentes: como organizar, como planejar, quem está envolvido, quem será o responsável? Há recursos para a manutenção do programa? Existe espaço físico? Há contêineres para armazenar os resíduos recicláveis? O responsável pela área aprovou e apóia o projeto? Já foi discutido com os moradores ou definida a equipe de trabalho? Os resíduos serão vendidos ou doados? Pra quem? Como será a divulgação?


Antes de se iniciar um projeto sobre coleta seletiva é necessário consultar e expor os objetivos a todos. A partir daí, a chance de ter vida longa é grande. E não adianta ter pressa. O programa precisa ser estudado e planejado com calma e critério.
Conhecer a característica do lixo normalmente gerado é um fator importante para identificar os resíduos que podem ser separados para reciclagem. Para verificar o tipo de resíduo que mais aparece no lixo, uma dica é juntar em torno de 10% do total gerado em um dia comum e fazer as contas.
Reuniões periódicas também ajudam a definir detalhes do programa como a divisão de tarefas e remanejamento, se for o caso. Nesses encontros, deverá ser estabelecido um objetivo, ou seja: o material separado será vendido ou doado e, neste caso, para quem?

O convencimento dos envolvidos e o estímulo constante dão bons resultados, como em qualquer projeto. Quando pessoas de posição privilegiada participam já é um bom começo. Se o presidente da empresa quer a coleta seletiva implantada e apóia o projeto, acompanhando o processo, a tendência é que as idéias saiam do papel mais facilmente.
A equipe encarregada de implantar a coleta seletiva deve decidir como divulgar para o público geral e ministrar treinamentos e palestras acessíveis a todos.

Após essa etapa, as primeiras fases de implantação devem ser acompanhadas. É arriscado deixar que a equipe trabalhe sem supervisão no início. Pelo menos um técnico em meio ambiente deverá acompanhar durante 02 meses o andamento do programa de coleta seletiva, juntamente com a equipe. Este técnico poderá ser terceirizado ou da própria empresa ou condomínio e será responsável pela emissão de relatórios para mostrar os passos do programa.

O tipo de contêiner para armazenar os resíduos deve ser definido com antecedência. Não há a necessidade de espalhar pela empresa recipientes coloridos. Na verdade, os modelos com 04 contêineres, sendo: 01 vermelho, 01 azul, 01 amarelo e 01 verde são opcionais. Os programas de coleta seletiva atuais optam por um único recipiente para todos os resíduos. Com exceção de locais com uma geração de mais de resíduo muito acima da média. Estes casos são mais comuns em locais considerados grandes geradores de resíduos.
Na cidade de São Paulo, existe um programa de coleta seletiva realizado em parceria com 15 cooperativas de ex-catadores. A Prefeitura de São Paulo subsidia as cooperativas nas principais despesas e fornece estrutura. Toda a renda obtida com o material coletado e comercializado é dos cooperados.

Alguns empreendimentos têm optado em doar os resíduos para as cooperativas. O decreto municipal 45.228/07, parágrafo 4º., inciso II, inclui, entre os documentos necessários ao cadastramento no Limpurb (departamento de limpeza pública), a “declaração de que o condomínio integra programa social de triagem de material reciclável e coleta seletiva de resíduos sólidos promovido por órgãos públicos ou cooperativas de inclusão social e de coleta de recicláveis, devidamente cadastrados na AMLURB (atual Limpurb), cujo volume de material reciclável a ele destinado seja igual ou superior a 10% (dez por cento) do total de resíduos sólidos gerados pelo condomínio.” Trata-se de um decreto assinado em abril deste ano e ainda está em fase de aplicabilidade pelo poder público.

Há outros casos em que o empreendimento decide vender os resíduos recicláveis. Nesta opção, é importante saber se o coletor/comprador tem boas referências para entrar no programa. É sempre desejável verificar se próximo ao empreendimento existe algum programa em andamento e que possa ser parceiro.

Como se pode ver, são muitos detalhes e ainda tem mais. Falta definir os funcionários da limpeza, contabilidade, local para armazenar os resíduos, estoque, prensa para papéis e papelão, big bags, planilhas e controles.
Se esses cuidados não existirem, por maior que seja a boa vontade, em algum ponto o processo acabará emperrando. É por isso que muitos programas de coleta seletiva param nos primeiros meses. É improvável que se possa organizar um programa com esta finalidade se todos os pontos acima não estiverem bem amarrados. Caso contrário, será um tiro no pé e investimento jogado fora. Daí a importância de treinar e conscientizar o grupo envolvido. E definir bem qual o objetivo do programa que será iniciado.

São Paulo, março de 2008.

Jetro Menezes, 39 anos, casado, Gestor Ambiental e Auditor Ambiental ISO 14000.

Ex-coordenador do Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo e Responsável pelo site: www.jetropapelreciclado.com.br e pelo Blog: www.jetromenezes.zip.net
Correio eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Celular: 11 7147-6880

   

Meio Ambiente

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Dicas: Como você pode ajudar o meio ambiente

* Dê preferência a produtos de madeira com o selo FSC. Esta é a garantia de que a madeira foi retirada corretamente. O desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de gases causadores do efeito estufa. Ao comprarmos produtos sustentáveis, diminuem os incentivos para desmatar a floresta.
* Consuma alimentos da estação e dê preferência aos orgânicos, que não utilizam agrotóxicos. Assim você cuida da sua saúde e do meio ambiente.
* Evite pegar sacolas plásticas desnecessariamente. Carregue uma sacola ou uma mochila com você quando for fazer compras. Assim estará gerando menos lixo.
* Use pilhas recarregáveis, Assim, você evita poluir o meio ambiente e gasta menos. (Descarte as pilhas em locais apropriados de coleta e não no lixo comum).

* Utilize calculadoras e lanternas que possam funcionar com energia solar ou dínamo. Desta maneira não é necessário usar pilhas.
* Leve as baterias usadas de celulares para as revendedoras. Elas não devem ser jogadas no lixo comum, pois contêm metais pesados altamente tóxicos para a saúde humana e o meio ambiente.
* Procure melhorar seu computador ao invés de comprar um novo. Anualmente, mais de 20 milhões de toneladas de lixo eletrônico são descartados. A maioria ainda não é reciclada!
* Prefira comprar em lojas que adotem práticas sócio-ambientais corretas.

* Imprima e-mails e documentos somente quando necessário.
* Não pegue panfletos entregues na rua a não ser que esteja interessado nas informações. Se pegar, não jogue na rua depois de tê-lo lido.
* Seja solidário: doe roupas, sapatos e aparelhos que não usa mais. Eles podem ser úteis para outras pessoas.
* Dê preferência a produtos fabricados com materiais reciclados. Desta maneira, você estará reduzindo o uso da matéria-prima, gastando menos energia e ajudando o planeta.

* Guarde o lixo com você até encontrar um local adequado caso estiver na rua.
* Separe o lixo e mande-o para a reciclagem. Separando o lixo, você estará gerando emprego para catadores e dando oportunidade a reciclagem de materiais.
* Utilize talheres, copos e pratos de louça. Os descartáveis geram lixo e demoram a se decompor.
* Prefira o transporte público. Além de ser menos poluente, você evitará parte do estresse do dia-a-dia.

* Pegue carona com seus amigos e dê carona quando possível, assim você joga menos gases poluentes na atmosfera.
* Opte pela bicicleta ou caminhe sempre que possível. Você evita o desperdício de energia e ainda queima calorias!
* Faça revisões regulares do seu carro. Quando o carro está bem regulado, ele joga menos gases poluentes na atmosfera e ainda fica mais econômico.
* Quando parar por mais de dois minutos, desligue o motor do seu carro e evite jogar gases poluentes no ar.

* Plante uma árvore. Ela proporciona sombra e bem-estar. Além disso, você estará contribuindo para evitar o aquecimento global. Em média, uma árvore absorve 200Kg de carbono durante seu crescimento, evitando que haja mais CO2, o principal gás de efeito estufa, na atmosfera.
* Denuncie queimadas irregulares. O fogo pode se alastrar destruindo o hábitat de milhares de animais, além jogar gases causadores do aquecimento global na atmosfera.
* Proponha a adoção de uma política de responsabilidade sócio-ambiental no seu trabalho.
* Desligue as luzes dos ambientes vazios, evite o desperdício de energia.

* Procure utilizar a luz natural nos ambientes. Você economiza energia elétrica e torna o local mais agradável.
* Desligue todos os equipamentos que não estiverem em uso e evite o desperdício de energia.
* Troque as lâmpadas convencionais de sua casa por lâmpadas eficientes. Elas consomem até 75% menos e duram até dez vezes mais. Você verá a diferença já na próxima conta de luz.
* Retire os eletroeletrônicos como TV, som e microondas da tomada sempre que possível. As luzinhas vermelhas ou relógios digitais que indicam que o aparelho está em stand by, gastam bastante energia.

* Quando comprar eletrodomésticos, prefira aparelhos com o selo Procel. Isso indica que o aparelho consome menos energia.
* Tome banhos rápidos. Você economiza água e energia.
* Desligue o chuveiro ao se ensaboar e passar xampu. Ajuda a economizar água e energia.
* Procure utilizar as escadas em vez do elevador. Você economiza energia e gasta calorias!

Não salvaremos tudo que gostaríamos, mas salvaremos muito mais do que se nunca tivéssemos tentado.

   

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